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ANEMIA
A anemia pode ser definida como "deficiência da oxigenação dos tecidos por diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue, graças a uma redução na concentração da hemoglobina (proteína transportadora)".
Como o sangue circula por todo corpo, as conseqüências da anemia podem manifestar-se com um conjunto amplo de sintomas e sinais, incluindo palidez, cansaço, desânimo, sonolência, palpitações, dor de cabeça, perda do poder de concentração e irritabilidade.
Para melhor entendermos o conceito de anemia, seus tipos, suas causas, manifestações e tratamento, alguns conceitos se fazem necessários. O sangue é composto do plasma e células em suspensão. O plasma é formado por água, na qual dissolvem-se várias substâncias químicas que incluem: proteínas, hormônios, minerais, vitaminas e anticorpos, inclusive aqueles produzidos em nossas vacinações. As células são os glóbulos vermelhos, plaquetas e os glóbulos brancos que se dividem em neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos.
Os glóbulos vermelhos significam quase 50% do volume do sangue. Eles são preenchidos por uma proteína chamada hemoglobina (que tem a função de captar oxigênio nos pulmões e levá-lo aos tecidos). As plaquetas são elementos pequenos (1/10 do tamanho dos glóbulos vermelhos) que auxiliam o organismo a controlar as hemorragias. Por exemplo, quando nos ferimos, as plaquetas formam uma espécie de rolha no local onde um determinado vaso sanguíneo foi rompido. Posteriormente uma espécie de cola (fibrina) garante a formação de um coágulo forte. As plaquetas podem ser comparadas aos tijolos de uma parede e os fatores de coagulação que formam a cola (fibrina), ao cimento.
Os glóbulos brancos estão envolvidos na defesa contra as infecções e na manutenção de nossa imunidade. A medula óssea ("tutano") é um tecido parecido com uma esponja onde se dá o desenvolvimento das células sanguíneas. Ela ocupa a parte central dos ossos. Todos os ossos são ativos na fabricação do sangue quando nascemos. No entanto, à medida que o tempo passa, a medula de alguns ossos deixa de funcionar. Várias são as causas de anemias que encontramos nos seres humanos. Entre as principais, podemos destacar:
Anemia Ferropriva: É a causa mais freqüente de anemia em crianças e mulheres. O ferro é imprescindível na formação da hemoglobina, portanto, a sua falta leva a uma diminuição do conteúdo de hemoglobina no glóbulo vermelho. Geralmente, a falta de ferro ocorre por deficiência de ingesta, porém pode ocorrer por perda crônica de sangue ou por defeitos de absorção.
O aleitamento materno protege a criança, devido à passagem e absorção sistemática do ferro pela amamentação. O leite de vaca não contém ferro suficiente para prevenir a anemia. A dieta alimentar de uma criança com anemia ferropriva deve, sempre que possível, incluir carne ou suco de carne. O fígado, a carne de vaca, o peixe e o frango são ricos em ferro. Muitos vegetais, como o espinafre, possuem altas concentrações de ferro, porém o ferro de origem vegetal é de difícil absorção. Sucos de laranja e limão, por possuírem altas doses de vitamina C, facilitam a absorção do ferro.
Nas mulheres, a principal causa de anemia ferropriva é a menstruação excessiva. Nos homens adultos o tubo digestivo deve ser sempre investigado, assim como em mulheres acima dos 50 anos ou naquelas com história de perdas menstruais.
Detectada a anemia, além da dieta alimentar, pode-se usar panela de ferro ou mesmo utensílios com ferro para cozinhar os alimentos de forma geral. O ferro passa da panela para os alimentos. As crianças devem ser submetidas também a exames de fezes, pois alguns vermes, como o ancilóstomo, podem causar anemia. O uso de vitaminas a base de ferro deve ser orientado pelo médico.
Deficiência de ácido fólico e de vitamina B12: Produzem o mesmo tipo de alterações na forma das células sanguíneas da medula óssea e do sangue. Os glóbulos vermelhos tornam-se grandes. O diagnóstico é feito pela observação microscópica destas células grandes ou por meio da dosagem específica do ácido fólico ou da vitamina B12. O tratamento é feito com a reposição destes elementos.
Anemias Hemolíticas: Sob o nome de anemias hemolíticas estão agrupadas doenças que têm como anormalidade comum a diminuição da vida média dos glóbulos vermelhos.
Anemia Falciforme e outras hemoglobinopatias: É uma alteração genética da hemoglobina que pode causar anemia. A quantidade de hemoglobina anormal define se um indivíduo pode ser somente portador do gene ou se apresenta anemia como doença.
A hemoglobinopatia mais comum é a anemia falciforme. O portador AS (indivíduo que apresenta a hemoglobina A e S), geralmente é assintomático. Pode apresentar sintomas quando existem fatores desencadeantes como: infecções graves, anestesia com baixa oxigenação, exercício físico muito intenso. Sua detecção em uma família é importante para efeito de aconselhamento genético. O paciente com a doença SS (presença das duas hemoglobinas S), apresenta, já no primeiro ano de vida, anemia, icterícia (mucosas amarelas), dores ósseas, articulares e abdominais. Alguns pacientes apresentam sangue na urina (hematúria). Entre outras hemoglobinopatias destacamos a SC, ST e CC.
Esferocitose hereditária: é uma doença com grau de severidade variável, podendo manifestar-se na infância ou mesmo na fase adulta, em forma de crises, geralmente desencadeadas por infecções às vezes até triviais como uma gripe.
Deficiências enzimáticas: A mais freqüente é a da Glicose 6 Fosfato Desidrogenase (G6PD). Quase todos os deficientes desta enzima são assintomáticos sob condições normais. A crise se dá por ingestão de medicamentos contendo, como sulfas, barbitúricos e antimaláricos, de fava, assim como infecções de forma geral. Os pacientes devem ser orientados sobre como evitar estes fatores desencadeantes e a procurar o serviço médico quando necessário.
Anemia Hemolítica Auto–Imune: nesta situação, o paciente forma um anticorpo contra os seus próprios glóbulos vermelhos, destruindo-os. Este fato pode ocorrer devido à imaturidade do sistema imunológico na infância. Às vezes, uma infecção viral, um medicamento ou mesmo uma vacina pode estimular o organismo a se defender, de forma errada, destruindo suas próprias células.
A anemia hemolítica auto-imune costuma ser benigna e se resolve espontaneamente. Quando isto não ocorre, pode ser necessário o uso de imunossupressores (como os corticoesteróides).

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